quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Veterinário que atende gratuitamente é notificado pelo Conselho

Recentemente foi publicada a reportagem em que "Veterinário é proibido de dar consulta grátis e o caso gera indignação na web”.  Por conta desta gratuidade dos serviços, o profissional foi notificado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária.
Cita a reportagem do G1 do dia 02/02/2016 que o veterinário de São Carlos (SP) Ricardo F. Camargo passou a atender os animais gratuitamente aos sábados. Ele alegou que atendia aqueles que nunca tinha ido a um veterinário e de áreas carentes. Disse ainda que “amo minha profissão, amo meus animais e amo ajudar as pessoas sempre que posso. Me sinto na obrigação de ajudar o próximo, de passar o meu conhecimento e fazer o bem para quem eu posso fazer. A minha intenção foi pura”.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária notificou o profissional por violação a ética profissional e para que cessasse os atendimentos gratuitos com base no art. 20 do Código de Ética Profissional que cita que “Ao médico veterinário não é permitida a prestação de serviços gratuitos ou por preços abaixo dos usualmente praticados, exceto em caso de pesquisa, ensino ou de utilidade pública”.
Por conta deste episódio, o veterinário informou que recebeu muitas críticas de colegas da profissão e mensagens de apoio popular e de advogados que estão oferecendo apoio jurídico.
Ao que parece, trata-se de uma pessoa com um perfil altruísta e com grande amor pelos animais. Mas, comete o pecado de misturar as razões da profissão com o sentimento moral, pessoal e ideológico. Utiliza dos meios profissionais da medicina veterinária para atender seus “anseios” com o objetivo de tentar realizar atos com vistas a satisfação de interesse ou sentimento pessoal, cujo efeitos se apresentam socialmente, principalmente nas camadas mais carentes.  
Talvez esta pessoa, poderia identificar mais com um militante de uma causa do que profissional propriamente dito. Entretanto, ao se apresentar como profissional, este deve ser o perfil a se predominar acima de qualquer outro interesse. Assim fez o juramento ético de zelar pela sua profissão (respeita os animais, a dignidade e aos demais profissionais), que possui inúmeros deveres e obrigações normatizadas. Poderia não trilhar por este caminho e não se submeter a cinco anos de conhecimento técnico e de se apresentar como profissional. Mas, escolheu e se submeteu a essas regras. 

Em outro artigo “Quem vai pagar o tratamento veterinário do cachorro?” abordei e disse que era temerário recair ônus sobre os médicos veterinários o problema social que estão submetidos os animais de companhia. E assim dar sentido à vida que os profissionais realizem atividades especiais para solucionar estas desigualdades. Se todos aqueles que se sensibilizem por esta causa, devem lutar para que a sociedade reconheça que é um problema social verdadeiro e busquem a solução e viabilidade de recursos, ou por meio coletivo ou por meio até de políticas públicas, como ocorreu em outros setores como a tutela ambiental e social de animais silvestres, ou algo semelhante ao SUS, ou a defensoria pública para realização plena da justiça. Mas, uma coisa estejam certos, tudo tem um custo, e não poderá recair a profissão dos médicos veterinários que assuma o ônus da gratuidade para assistência social privada, que por enquanto, está somente na iniciativa individualizada destes tipos de profissionais que misturam o seu sentimento com a as razões da profissão. E as outras iniciativas compensatórias antes da gratuidade dos profissionais?

Nenhum comentário:

Postar um comentário