quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ex-ministros defendem maior controle sobre abates irregulares


Francisco Turra e Roberto Rodrigues querem o rigor do SIF valendo para todo o País e sugerem até terceirizar inspeção
O aumento dos casos de abates de bovinos sem fiscalização sanitária por todo o País está deixando preocupados também ex-ministros da Agricultura. Francisco Turra e Roberto Rodrigues entendem que está na hora de se tomar providências, e apontam caminhos para resolver o que está se tornando um grave problema de saúde pública. Uma das sugestões é a expansão do Serviço de Inspeção Federal (SIF) a todos os abatedouros do País. “Muitos estados estão fora do SIF, que é uma maneira de você controlar e enquadrar [os abatedouros] definitivamente” – afirma Francisco Turra, ministro da pasta entre 1998 e 1999 e, hoje, presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef).
Entrevistado pela Agência Radioweb durante a cerimônia de comemoração dos 105 anos da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Turra defendeu ainda a mudança do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA). “O RIISPOA tem 60 anos e os padrões mudaram muito”, justifica.
Também presente à cerimônia, Roberto Rodrigues, que comandou o Ministério de 2003 a 2006, defende a isonomia de tratamento entre todos os estabelecimentos e um nivelamento pelos padrões do SIF, mas sugere um reforço. “Podemos reforçar a fiscalização terceirizando esses trabalhos. As regras têm de ser de caráter nacional, mas a execução tinha de ser terceirizada”, aponta o ex-ministro, acrescentando a ideia de se criar um ranking de boas práticas e premiações de estímulo àqueles frigoríficos que mais se destacassem no cumprimento das regras estabelecidas pelo SIF.
Exigida apenas para aqueles frigoríficos que vendem carne para fora do seu estado de origem e para o exterior, a fiscalização pelo SIF é a mais rigorosa do Brasil, acompanhando desde o abate do boi até a chegada do produto à gôndola do mercado. Dos cerca de 1.400 abatedouros existentes hoje no País, menos de 300 são fiscalizados pelo SIF. Legalmente, a fiscalização realizada pelos serviços de inspeção estaduais e municipais – a que estão sujeitos os mais de 1.000 abatedouros restantes – deveria seguir os padrões do SIF, mas, na prática, não é o que ocorre.

FONTE: Agrolink com informações de assessoria


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